Descobrir uma cobrança que você não reconhece, ou tentar fazer uma compra e ouvir que o seu nome está negativado, é uma situação angustiante. Bate aquela mistura de susto, vergonha e revolta — afinal, você tem certeza de que não deve aquilo. Respire. Essa é uma das dúvidas mais comuns que chegam até nós, e a boa notícia é que a lei brasileira oferece caminhos para quem foi cobrado de forma indevida ou teve o nome negativado sem justa causa. Neste artigo, explicamos em linguagem simples o que pode ser feito.

O que é considerado cobrança indevida

Cobrança indevida é aquela que não corresponde a uma dívida real ou legítima. Pode acontecer de várias formas no dia a dia:

O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) protege quem passa por essas situações. Ele prevê, por exemplo, que o consumidor cobrado em quantia indevida pode ter direito à devolução do valor — em certos casos, em dobro — quando o pagamento foi feito por engano. Cada situação, porém, depende de análise específica.

O que significa ter o nome negativado

Negativar o nome é o ato de inscrever o consumidor em órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa. Quando isso acontece, o seu CPF fica com uma "anotação" que dificulta financiamentos, compras a prazo e até a abertura de conta. O ponto importante é: a empresa precisa seguir regras para negativar alguém.

Uma dessas regras é a notificação prévia. Antes de inscrever o seu nome, o órgão de proteção ao crédito deve comunicá-lo por escrito, normalmente por carta no endereço cadastrado. Se você foi negativado sem nunca ter recebido esse aviso, ou se a dívida nem existe, a inscrição pode ter sido feita de forma irregular.

Cobrança indevida pode gerar dano moral?

Esta é uma das perguntas que mais aparecem. A jurisprudência brasileira entende que a negativação indevida do nome — ou seja, sem dívida real — pode configurar dano moral, porque atinge a honra, o crédito e o nome da pessoa perante o mercado. Isso é diferente de uma simples cobrança por carta ou telefone, que nem sempre, sozinha, gera indenização.

Vale destacar que existe um entendimento dos tribunais conhecido como "Súmula 385", segundo o qual, se a pessoa já tem outra negativação legítima e anterior, o pedido de dano moral por uma nova inscrição indevida pode não ser acolhido. Por isso, não é possível afirmar de antemão que todo caso dá direito a indenização. Tudo depende dos documentos e das circunstâncias.

Passos práticos para resolver

Se você está nessa situação, alguns cuidados ajudam a organizar a defesa dos seus direitos:

E se a empresa não resolver?

Quando a tentativa amigável não funciona, é possível buscar a Justiça. Em casos de cobrança ou negativação indevida, a pessoa pode pleitear, por exemplo, a declaração de que a dívida não existe, a retirada do nome dos cadastros de inadimplentes e, quando cabível, uma indenização por danos morais. Em muitos casos é possível também pedir uma decisão urgente (liminar) para que o nome seja retirado dos órgãos de proteção ao crédito enquanto o processo corre — mas isso depende da análise do juiz diante das provas apresentadas.

Quando procurar um advogado

Nem toda cobrança exige um processo, e nem todo caso é igual. Por isso, é prudente buscar orientação de um advogado quando: você não consegue resolver pelos canais administrativos; a negativação está atrapalhando seu crédito ou sua vida financeira; existe suspeita de fraude com seus dados; ou os valores e o impacto são relevantes. Um profissional poderá analisar seus documentos, verificar se a cobrança foi de fato irregular e indicar o melhor caminho para o seu caso específico — sempre lembrando que cada situação é única e que resultados dependem das provas e das circunstâncias.

Se você está enfrentando uma cobrança que não reconhece ou descobriu o nome negativado e gostaria de entender quais são as suas opções, o escritório Bueno Góis Advogados, em São Bernardo do Campo e região do ABC Paulista, está à disposição para uma conversa inicial e esclarecimento das suas dúvidas. Reúna seus documentos e entre em contato para uma orientação sóbria e responsável sobre o seu direito.